Uma WebQuest para a disciplina de História

3ª série do Ensino Médio

 

Profº Izaudir Diniz Linhares

izaudir@gmail.com

 

Estagiário: Victor Hugo Soliz

Introdução

 Existe uma ideia consolidada na sociedade de que a revolução industrial estaria destinada a triunfar desde seu surgimento, boa parte dessa ideia é consolidada pela leitura rasa dos livros didáticos e pelo antropocentrismo que põe a nossa sociedade como o ápice da humanidade e todas as outras como falhas de não serem como nós. Vale salientar que existia um adágio na Inglaterra[1] durante o período que dizia que existiam três maneiras certas de perder dinheiro: com mulheres, com jogos ou com máquinas, mas apenas as duas primeiras lhe garantiriam diversão. Com isso fica evidenciado como investir em maquinaria era considerado arriscado, mas se a revolução industrial era tão incerta, como ela conseguiu prosperar?

Existem três fatores essenciais para a consolidação da revolução industrial, o primeiro deles foi o apoio total e irrestrito do estado inglês, voltando todo o ferramental político para conseguir atingir essa empreitada gerando leis que favoreciam os industriais. O segundo fator e mais importante em um aspecto externo: o imperialismo. O imperialismo inglês garantiu mercado consumidor para os produtos produzidos em larga escala. Para isso teve que garantir exclusividade no fornecimento do produto e para isso foi necessário destruir a produção interna das colônias o que gera uma perturbação na economia local, já que a acumulação de capitais, que aconteceria a nível local, é deslocada para a Inglaterra, fazendo com que a colônia se empobreça e se endivide, todo esse processo a base das armas.

 

O papel da educação na consolidação da revolução industrial

 

Apesar do que já foi exposto ainda tem o fator cultural interno inglês que se chocava culturalmente com os ideais da revolução industrial. Mas então como se venceu essas barreiras internas e se consolidou a revolução industrial dentro da própria Inglaterra? A resposta está em um mecanismo de controle social que é muito utilizado até hoje: a educação.

A educação não foi criada para a domesticação da população para em nome do mercado de trabalho e sim para os estados nacionais, como atesta as condições de seu surgimento na Prússia do século XVII, entretanto as primeiras industriais logo viram o potencial da educação em criar uma mão de obra dócil e servil, não à toa que as maiores investidoras em educação naquela época foram industriais[2].

Esse processo começa não apenas com massiva propaganda da importância da escola, mas como da construção de escolas-fábricas junto a orfanatos que buscavam a disciplinar para o trabalho, enquanto mantinham o discurso iluminista de saber como emancipação, mas não é preciso procurar muito para saber a real questão relativa ao processo educacional: Bravo Murillo (1803-1873), importante pensador espanhol iluminista já dizia: “não precisamos de homens que pensem, mas de bois que trabalhem”.

As práticas escolares não se resumem à disciplina explícita (baseada principalmente na pontualidade, regularidade, atenção, silêncio e na obediência), mas abrangem toda a filosofia escolar da qual destacamos as jornadas de estudo, os padrões de interação, o currículo, o sistema de qualificações, a pressão sobre estudantes e professoras, sistemas de prêmios e castigos, horários estritos, trabalho individual, estímulo à diligência, separação da comunidade, estrutura vertical, fechada ao mundo exterior, deferência para com a autoridade da professora, fragmentação e alienação do conhecimento. Essas práticas existem com o objetivo de adaptar a estudante ao futuro mercado de trabalho[3].

Para garantir a manutenção das desigualdades, a escola destrói a autoconfiança e autoestima, por isso o exercício constante de autoridade sobre as crianças para não deixar esquecer que as mesmas são incapazes e que devem estar sempre sob vigilância. A escola esmaga as experiências, inquietações e conhecimentos prévios das jovens de modo que apenas o que importa dentro da escola é o que a instituição diz que a jovem tem que fazer, pensar e ser. A escola implanta o individualismo ao fazer as estudantes estarem sozinhas no meio da multidão, sem poder conversar com as colegas que estão ao lado. Como a alteridade pode criar raízes em um processo violento de disciplinarização como esse? Enguita (1989:196) desmascara a farsa:

A escola, mesmo que seu reformismo pedagógico tenha incorporado definitivamente a seu discurso termos como “solidariedade”, “cooperação”, “trabalho em equipe” e outros do estilo, estimula por todos os meios a seu alcance a competição entre os alunos. Em grande medida, este discurso foi simplesmente desnaturalizado, de forma que quando, por exemplo, se fala de “disposição para cooperar” de um aluno, o que se está designando é sua disposição para envolver-se nas tarefas organizadas pelo professor, isto é, a obedecer.

Já que as motivações para os estudos não são intrínsecas ao processo de aprendizagem, o estímulo só pode ser externo, no caso a esperança do êxito ou o medo do castigo. O problema é que além das boas notas cristalizarem o processo de meritocracia capitalista, elas também propagam o pragmatismo, ou seja, só se faz algo para se conseguir alguma coisa e não pela satisfação do fazer. Ou seja, depois de anos na escola exercendo o pragmatismo, ainda nos perguntamos por que não existe mais ética atualmente. Oras se somos ensinadas a sermos pragmáticas nossa vida toda, seria possível que com a chegada da vida adulta, por um passe de mágica, conseguir agir eticamente?

A Tarefa  

 

A partir de algum documentário ou texto indicado no referencial teórico fazer uma análise crítica de algum dos pontos abaixo. A análise pode ser em forma de texto, ou debate:

1.    A inevitabilidade do processo de revolução industrial;

2.    As causas da consolidação da revolução industrial;

3.    O surgimento do modelo escolar de ensino obrigatório;

4.    O papel de controle social da escola hoje.

O Processo 

1.    Abaixo há uma sequência de link´s como sugestão para pesquisa. Utilize também o livro didático como base para a pesquisa. Lembrando que é necessário sempre citar a fonte de pesquisa, isto é, o local de onde retirou os dados colocando o nome do autor, o título do trabalho, o site (se tiver) e a data.

2.    Nos links abaixo há explicações mais completas sobre a temática proposta. Não se limitem ou copiem os trechos, é importante que se desenvolva com suas palavras.

3.    Ao final vocês deverão produzir um texto ou uma apresentação como conclusão da atividade.

 

Sugestões de link´s:

https://www.youtube.com/watch?v=6t_HN95-Urs

http://www.webartigos.com/artigos/revolucao-industrial/55961/

http://economes-ufam.blogspot.com.br/2012/11/a-revolucao-industrial-segundo-eric.html

http://superjanelaeconomica.blogspot.com.br/2012/11/a-revolucao-industrial-inglesa-na-visao.html

Avaliação  

 

A atividade será avaliada tendo como base a coerência e articulação das ideias, além da ousadia.

Conclusão 

 

A final desta atividade é esperada que o aluno tenha domínio do conteúdo sobre a Revolução Industrial e a construção do processo educacional.

REFERENCIAS

BLACK, Carol. Escolarizando o mundo. 2010. Acessado no dia 7 de maio de 2015 no endereço eletrônico: https://www.youtube.com/watch?v=6t_HN95-Urs

CELETI, Filipe Rangel. Origem da educação obrigatória: um olhar sobre a Prússia. In: Revista Saber Acadêmico, número 13: junho/2012. Acessado no dia cinco de maio de 2014. Disponível em: http://www.uniesp.edu.br/revista/revista13/pdf/artigos/06.pdf

DOIN, Germán.“LA EDUCACION PROHIBIDA”. 2012. Acessado no dia 22 de maio de 2015 no endereço eletrônico: https://www.youtube.com/watch?v=-t60Gc00Bt8

ENGUITA, Mariano Fernández. A face oculta da escola. Porto alegre: artes médicas. 1989.

HOBSBAWN, Eric John Ernest. Da revolução industrial inglesa ao imperialismo. Rio de janeiro: forense universitária. 2000.

THOMPSON, Edward Palmer. “Educação e experiência”. In: Os românticos. Rio de janeiro: civilização brasileira. 2002.

SOLIZ, Victor Hugo. Informação, conhecimento e saber – entendendo a base do processo pedagógico para quebrar mitos. Cosmos (Presidente Prudente), v. 7, n. 2, p. 12-23, 2014.

SOLIZ, Victor Hugo. O modelo de ensino obrigatório e a vida – quebrando mitos. Cosmos (Presidente Prudente), v. 7, n. 3, p. 48-65, 2014.

STIRNER, Max. O falso princípio da nossa educação. São Paulo. Imaginário. 2001.